Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa.
Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro.
Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado.
Mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali,espiando tranqüilamente.
Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço.
Perguntaram- me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da
casa.
Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma
viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que
fosse possível.
Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma: - Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal.
Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da
escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações.
O tiro fez um estrago danado no cara!
Passados menos de três minutos, estavam na rua 5 carros da polícia, um
helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos
direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.
Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado.
Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.
No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse: - Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.
Eu respondi: - Pensei que tivesse dito que não havia nenhuma viatura disponível.
Luiz Fernando Veríssimo
Dr. Oculto
Aqui você encontra o que não acha.
sábado, 6 de julho de 2013
domingo, 23 de junho de 2013
Fim De Festa
Final de jogo do Corinthians, na década de 1980, são sorteados para o exame antidoping Sócrates e Vladimir. A coleta se mostra difícil, e o representante da Federação resolve ir até a cantina buscar uma cervejinha, para ver se apressa o serviço.
Os dois tomam a primeira, nada. A segunda, nada. Terceira, idem. Depois da sexta, Sócrates pergunta ao funcionário responsável pela coleta se "ainda tem mais".
- Não, a cantina do estádio já fechou - desculpa-se o pobre homem.
E o doutor, de bate-pronto:
- É, Vladimir, acabou a festa! O jeito é dar uma mijadinha e ir embora...
PRADO, Renato Maurício. Deixa que eu chuto 2 a missão!. Rio de Janeiro: Editora Relume Dumará, 2006.
Os dois tomam a primeira, nada. A segunda, nada. Terceira, idem. Depois da sexta, Sócrates pergunta ao funcionário responsável pela coleta se "ainda tem mais".
- Não, a cantina do estádio já fechou - desculpa-se o pobre homem.
E o doutor, de bate-pronto:
- É, Vladimir, acabou a festa! O jeito é dar uma mijadinha e ir embora...
PRADO, Renato Maurício. Deixa que eu chuto 2 a missão!. Rio de Janeiro: Editora Relume Dumará, 2006.
sábado, 22 de junho de 2013
Doutor Roberto
(...)
___________________________________________________________________
Doutor Roberto gostava de telefonar para a redação para saber das últimas notícias. Reza a lenda que certa noite atendeu-o um velho redator ranzinza:
- Por favor, eu queria saber os resultados do futebol - teria perguntado sem se identificar.
- Ô meu amigo, nós aqui estamos trablahando e o horário está apertado! Compra o jornal amanhã...
Diante da insistência, o resmungão perguntou:
- Com quem eu estou falando, hein?
E veio a revelação:
- Roberto Marinho.
Rápido silêncio e o copidesque, emenda, insolente:
- E o senhor? Sabe com quem está falando?
- Não...
- GRAÇAS A DEUS! - e bateu o telefone...
O próprio doutor Roberto depois contava a história. Às gargalhadas.
PRADO, Renato Maurício. Deixa que eu chuto 2 a missão!. Rio de Janeiro: Editora Relume Dumará, 2006.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Vale o Combinado
Esta é dos anos 1950. O Vasco iria jogar contra o Canto do Rio e um dirigente cruzmaltino procurou o goleiro adversário, disposto a pagar por um "frango". Acertaram a quantia e a forma de pagamento: metade no ato e metade após o jogo.
Começou a partida e o goleirão tratou de fazer sua parte: sofreu logo um gol num frangaço espetacular. A partir daí, entretanto, o vendido resolveu fechar a meta tornando-se o melhor jogador em campo.
Aos 30 minutos do segundo tempo, coisa que ninguém esperava, o Canto do rio empatou. Aos 42 minutos, uma esperança: pênalti a favor do Vasco.
O encarregado da cobrança foi Ademir Menezes, o infalível Queixada. Ele disparou uma bomba medonha, mas, para espanto geral, o goleiro defendeu e garantiu o empate.
No dia seguinte, nosso herói foi a São Januário cobrar a dívida. E o cartola, quando o viu, espumou de raiva:
- Você ainda tem a cara-de-pau de aparecer? Defendeu um pênalti e vem me cobrar?
- Ué, doutor o senhor me pagou pra tomar um frango e isso eu fiz...
Acabou recebendo.
PRADO, Renato Maurício. Deixa que eu chuto 2 a missão!. Rio de Janeiro: Editora Relume Dumará, 2006.
Começou a partida e o goleirão tratou de fazer sua parte: sofreu logo um gol num frangaço espetacular. A partir daí, entretanto, o vendido resolveu fechar a meta tornando-se o melhor jogador em campo.
Aos 30 minutos do segundo tempo, coisa que ninguém esperava, o Canto do rio empatou. Aos 42 minutos, uma esperança: pênalti a favor do Vasco.
O encarregado da cobrança foi Ademir Menezes, o infalível Queixada. Ele disparou uma bomba medonha, mas, para espanto geral, o goleiro defendeu e garantiu o empate.
No dia seguinte, nosso herói foi a São Januário cobrar a dívida. E o cartola, quando o viu, espumou de raiva:
- Você ainda tem a cara-de-pau de aparecer? Defendeu um pênalti e vem me cobrar?
- Ué, doutor o senhor me pagou pra tomar um frango e isso eu fiz...
Acabou recebendo.
PRADO, Renato Maurício. Deixa que eu chuto 2 a missão!. Rio de Janeiro: Editora Relume Dumará, 2006.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Tudo Bem! Mas Pra Lá...
Uma deliciosa história da terra de Chico Anysio, confirmada pelo próprio.
Jogava o time de Limoeiro contra o de Caruaru. Um clássico do interior pernambucano, com arbitragem de juiz da capital.
O Limoeiro tinha como dirigente um dos filhos do Coronel Chico Heráclio, que mandava e desmandava na cidade. Estadiozinho lotado, partida "arretadíssima", faltando seis minutos para o final, o juiz marca um pênalti contra o Limoeiro. Ato contínuo, este se vê cercado pelos 22 jogadores, dirigentes e torcedores. Naturalmente, o tempo fecha.
Razoavelmente serenados os ânimos, o chefe do policiamento local aconselha que a decisão final seja do Coronel Heráclio. Os dois times, juiz, bandeirinhas e policiais vão ate a casa-grande da fazenda - quase ao lado do campo.
- O que está acontecendo meu filho? - pergunta o coronel.
- O juiz marcou um pênalti, pai.
- E o que é isso?
- O jogador que vai bater fica frente a frente com o goleiro. É gol na certa.
Quando o grupo vai descendo a escadaria, de volta ao jogo, ouve-se o vozeirão do coronel:
- Olha, "seu" juiz, já que você é a autoridade em campo, mande bater o pênalti lá na área do Caruaru, viu?
Final de jogo: Limoeiro 1 a 0. De pênalti.
PRADO, Renato Maurício. Deixa que eu chuto 2 a missão!. Rio de Janeiro: Editora Relume Dumará, 2006.
Jogava o time de Limoeiro contra o de Caruaru. Um clássico do interior pernambucano, com arbitragem de juiz da capital.
O Limoeiro tinha como dirigente um dos filhos do Coronel Chico Heráclio, que mandava e desmandava na cidade. Estadiozinho lotado, partida "arretadíssima", faltando seis minutos para o final, o juiz marca um pênalti contra o Limoeiro. Ato contínuo, este se vê cercado pelos 22 jogadores, dirigentes e torcedores. Naturalmente, o tempo fecha.
Razoavelmente serenados os ânimos, o chefe do policiamento local aconselha que a decisão final seja do Coronel Heráclio. Os dois times, juiz, bandeirinhas e policiais vão ate a casa-grande da fazenda - quase ao lado do campo.
- O que está acontecendo meu filho? - pergunta o coronel.
- O juiz marcou um pênalti, pai.
- E o que é isso?
- O jogador que vai bater fica frente a frente com o goleiro. É gol na certa.
Quando o grupo vai descendo a escadaria, de volta ao jogo, ouve-se o vozeirão do coronel:
- Olha, "seu" juiz, já que você é a autoridade em campo, mande bater o pênalti lá na área do Caruaru, viu?
Final de jogo: Limoeiro 1 a 0. De pênalti.
PRADO, Renato Maurício. Deixa que eu chuto 2 a missão!. Rio de Janeiro: Editora Relume Dumará, 2006.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Dois Autores
No meio do trânsito de São
Paulo, uma Mercedes com uma madame de motorista e um fusquinha com um
gordinho com a barba por fazer estão lado a lado. O gordinho grita,
xinga, buzina, faz um escarcéu por causa do trânsito até
que a madame baixa o vidro de sua Mercedes e diz:
- A paciência é a mais nobre e gentil das virtudes! Shakespeare, em Macbeth.
O gordinho responde:
- Vai tomar no cu! Nelson Rodrigues, em A Vida Como Ela É.
- A paciência é a mais nobre e gentil das virtudes! Shakespeare, em Macbeth.
O gordinho responde:
- Vai tomar no cu! Nelson Rodrigues, em A Vida Como Ela É.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Furto Nas Alturas
"Senhores passageiros, sejam muito bem-vindos ao nosso voo. Como informou o nosso comandante, estamos prontos para decolar.
Peço, pois, que afivelem seus cinturões, retornem o encosto da poltrona para a posição vertical e mantenham travada a mesinha à sua frente. A partir desse momento, todos os equipamentos eletrônicos deverão ser desligados.
O nosso tempo de voo será de dez horas e quinze minutos. Após a decolagem serviremos o jantar, que será acompanhado de finos vinhos.
Vinho, como os senhores sabem, é ótimo para relaxar, o que, sinceramente, espero que todos os passageiros façam. Depois do jantar diminuiremos a luz nesta classe executiva, para que vocês possam descansar e dormir.
"Dormir, talvez sonhar", como diria Shakespeare. Desejamos bons sonhos a todos.
Não se assustem se, enquanto estiverem dormindo, encontrarem esta que vos fala junto à vossa poltrona, mexendo em vossos bolsos. Estarei recolhendo dinheiro vivo, seja em dólares, em euros, em francos suíços, em ienes, qualquer moeda forte serve.
E recolherei joias, desde que não sejam falsas. Mas certamente pessoas elegantes como as que viajam não cogitariam usar bijuterias. Recolherei também cartões de crédito e talões de cheque, esperando que para os mesmos haja fundos.
Eu poderia dizer que o propósito dessa coleta (que para os senhores será, digamos, involuntária) é dar contribuições para fundos de caridade, ou para ajudar vítimas de desastres ambientais. Mas não vou mentir, senhores passageiros, porque acho a honestidade absolutamente fundamental neste tipo de relacionamento.
O dinheiro, as joias, os cartões de crédito, os talões de cheque, tudo isso destina-se a uma única pessoa: eu. Entendam: sou de origem humilde, sempre vivi de salário, invejando as pessoas que, como vocês, viajam de classe executiva. Mas agora pretendo melhorar.
Quero ter uma boa casa, quero frequentar restaurantes da moda. E, ah, sim, quero ter um avião. Um avião particular. Não tão grande quanto este, mas um jatinho, pelo menos, que me leve para lugares como Caribe ou Nova York.
Não preciso de uma grande tripulação: o comandante, o copiloto, e, obviamente, uma aeromoça ou aeromoço. Pagarei muito bem, mas quero fazer uma advertência: como os senhores verão neste voo, eu não durmo a bordo. Portanto, qualquer tentativa de coleta como a que eu mencionei será inútil.
Espero que os candidatos ao cargo sejam -como as aeromoças e aeromoços em geral- absolutamente honestos. Porque o crime não compensa. Muito menos quando se está a 10 mil metros de altura."
SCLIAR ,Moacyr. Folha de S. Paulo, 26/7/2010
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