quinta-feira, 20 de junho de 2013

Tudo Bem! Mas Pra Lá...

Uma deliciosa história da terra de Chico Anysio, confirmada pelo próprio.
Jogava o time de Limoeiro contra o de Caruaru. Um clássico do interior pernambucano, com arbitragem de juiz da capital.
O Limoeiro tinha como dirigente um dos filhos do Coronel Chico Heráclio, que mandava e desmandava na cidade. Estadiozinho lotado, partida "arretadíssima", faltando seis minutos para o final, o juiz marca um pênalti contra o Limoeiro. Ato contínuo, este se vê cercado pelos 22 jogadores, dirigentes e torcedores. Naturalmente, o tempo fecha.
Razoavelmente serenados os ânimos, o chefe do policiamento local aconselha que a decisão final seja do Coronel Heráclio. Os dois times, juiz, bandeirinhas e policiais vão ate a casa-grande da fazenda - quase ao lado do campo.
- O que está acontecendo meu filho? - pergunta o coronel.
- O juiz marcou um pênalti, pai.
- E o que é isso?
- O jogador que vai bater fica frente a frente com o goleiro. É gol na certa.
Quando o grupo vai descendo a escadaria,  de volta ao jogo, ouve-se o vozeirão do coronel:
- Olha, "seu" juiz, já que você é a autoridade em campo, mande bater o pênalti lá na área do Caruaru, viu?
Final de jogo: Limoeiro 1 a 0. De pênalti.

PRADO, Renato Maurício. Deixa que eu chuto 2 a missão!. Rio de Janeiro: Editora Relume Dumará, 2006. 

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